Assis Strasser
Fundador e CEO da GTS Group
Lages, Santa Catarina
Assis Strasser iniciou sua trajetória como produtor rural de médio porte, cultivando cerca de 1.500 hectares. A virada de chave ocorreu no final da década de 1990, quando, insatisfeito com as limitações dos maquinários da época, decidiu modificar por conta própria uma plataforma de milho para permitir o plantio em espaçamento reduzido (45 cm). Ao apresentar a inovação para grandes fabricantes globais e ser informado de que o projeto não tinha viabilidade econômica, Assis e seus irmãos decidiram fabricar a própria máquina na fazenda utilizando alumínio aeronáutico, o que resultou em um equipamento mais leve e eficiente que rapidamente atraiu a atenção da mídia nacional.
O momento mais crítico para a transição industrial foi a falta de capital. A GTS nasceu da união com sócios argentinos (daí as iniciais), mas a promessa de investimento estrangeiro não se concretizou. Assis relata que, em certo ponto, teve que comprar as partes dos sócios e irmãos para manter o controle da empresa. Começaram em um galpão alugado em Campo Belo até inaugurarem a primeira fábrica própria em 2005. O empresário enfrentou o ceticismo de muitos que o consideravam louco por tentar competir com gigantes como John Deere e CNH sendo um ex-agricultor sem formação acadêmica superior.
Atualmente, a GTS é uma potência tecnológica no setor de colheita, possuindo cinco plantas industriais em Lages e exportando para cerca de 20% do mercado global. Assis consolidou a empresa como referência em inovação, tendo lançado no Piauí a maior plataforma Draper de colheita de cereais do mundo. O empresário, que já rodou milhões de quilômetros de caminhonete fazendo demonstrações técnicas, mantém uma gestão focada em eficiência produtiva e agora expande a marca para os Estados Unidos, onde planeja abrir uma unidade fabril para atender o mercado externo.
A situação atual reflete o amadurecimento de um líder que prioriza o caráter e a educação. Strasser está investindo na criação de uma fundação e de uma universidade corporativa para seus colaboradores, com ênfase em economia doméstica e formação humana. Apesar dos ciclos de baixa no mercado agrícola, ele mantém uma visão otimista e resiliente, acreditando que o Brasil precisa de planejamentos de longo prazo e que a iniciativa privada deve liderar o desenvolvimento tecnológico para levar o país ao topo do agronegócio mundial.
“Quem não sabe fazer, não sabe mandar.”

História construída a partir da transcrição do episódio.
