Vera Maciel

Vera Maciel

Corretora e empresária do comércio de gado, a "Rainha do Gado" do Oeste Baiano

Itabuna/Ilhéus (BA), radicada em Barreiras

Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.

Resumo

Vera do Gado: a pedagoga que se tornou a Rainha da Pecuária no Oeste Baiano O agronegócio é um universo vasto e, historicamente, dominado pela presença masculina, especialmente quando o assunto é a lida direta com o gado.

Atuação
Corretora e empresária do comércio de gado, a "Rainha do Gado" do Oeste Baiano
Origem
Itabuna/Ilhéus (BA), radicada em Barreiras
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1

Temas

PecuáriaOriginação e comércio de gadoMulheres no agroGenética e NeloreIntegração Lavoura-PecuáriaConfinamentoOeste Baiano

Biografia

Vera do Gado: a pedagoga que se tornou a Rainha da Pecuária no Oeste Baiano

O agronegócio é um universo vasto e, historicamente, dominado pela presença masculina, especialmente quando o assunto é a lida direta com o gado. No entanto, no coração do Cerrado Baiano, uma mulher vem quebrando paradigmas e reescrevendo as regras do comércio pecuário. Conhecida em todo o Nordeste como "Vera do Gado" ou a "Rainha do Gado", Vera Luize Maciel Callai transformou uma oportunidade improvável em um império de originação comercial, movimentando quase 38 mil animais por ano.

A partir de sua participação especial no Agro em Debate, gravado durante a Bahia Farm Show, contamos como uma jovem formada em Pedagogia conquistou o respeito de fazendeiros experientes, desbravou o mercado de confinamentos e se tornou uma das maiores referências na compra e venda de bovinos na região de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães.

De Ilhéus ao Cerrado: a mudança de rota

A história de Vera começa longe das pastagens e currais. Natural de Itabuna e criada em Ilhéus, no sul da Bahia, ela viveu sua infância e juventude na região cacaueira. Seus pais chegaram a se mudar para Barreiras, no Oeste Baiano, mas acabaram retornando ao litoral. Vera, porém, sentiu uma conexão diferente com a capital do agronegócio baiano.

Sua primeira formação acadêmica não dava pistas do seu futuro: entre 2006 e 2011, cursou Licenciatura em Pedagogia (Docência e Gestão) pela UNEB. "Eu era muito nova, então fiquei meio assim decidindo no mercado o que eu ia fazer", relatou no podcast. Ao retornar para Ilhéus após a faculdade, percebeu que não se adaptava mais ao ritmo da cidade — a pujança do agro em Barreiras a chamava de volta. Em 2013, após atuar como gerente de serviços administrativos, teve a oportunidade de ingressar na Captar Agrobusiness, um grande confinamento em Luís Eduardo Magalhães.

O desafio na Captar: a menina e os boiadeiros

Aos 22 anos, recém-formada em Pedagogia e sem conhecimento prévio sobre pecuária, Vera foi contratada como assistente comercial. Sua função inicial era organizar a parte burocrática das parcerias e a entrada dos animais. Em apenas quatro meses, demonstrando extrema organização e proatividade, foi promovida a coordenadora da equipe de originação de gado, liderando cinco compradores externos — todos homens, mais velhos e com anos de experiência no trecho.

"Eles me desafiaram também, né? Como uma menina tão nova, pedagoga, ia mexer com gado", relembrou. Em vez de se intimidar, usou a curiosidade como combustível: passou a estudar freneticamente sobre raças, genética, mercado e características morfológicas dos animais. Ali, no chão do confinamento, nascia a "Vera do Gado".

O salto para o empreendedorismo

Vera permaneceu na Captar por cerca de seis anos e construiu algo mais valioso que qualquer salário: credibilidade. Sua marca registrada tornou-se a transparência, a organização e a confiança nas relações com os produtores rurais.

A virada aconteceu por motivos pessoais. Ao se casar e engravidar de sua filha, Lua, decidiu se afastar da rotina exaustiva da fazenda. Mas o mercado não estava disposto a deixá-la ir: seis meses depois, antigos clientes começaram a procurá-la. "Já que você não tá trabalhando, vai pesar um gado pra mim", pediam os fazendeiros. A demanda cresceu no boca a boca e, em outubro de 2017, ela oficializou a Vera Maciel Comércio de Serviço. A reviravolta foi tão grande que a própria Captar a chamou de volta — não mais como funcionária, mas como fornecedora e parceira estratégica.

O raio-x da Rainha do Gado

Hoje sua atuação é um pilar da pecuária no Oeste Baiano, estendendo-se também para Goiás e Tocantins, com consultoria comercial e análise de mercado. No balanço apresentado no podcast, Vera revelou ter movimentado quase 38 mil animais em um único ano, trabalhando com reposição (bezerros desmamados), terminação (garrotes para confinamentos), matrizes e gado de elite em leilões de reprodutores e genética P.O.

Trabalhando praticamente sozinha no campo, com apoio de apenas uma secretária, ela roda as fazendas garantindo o padrão de qualidade. "Não vem aqui que o gado é bom demais, o gado é extra. Você chega lá, até tem o gado, mas não é no padrão, você perde a viagem", explicou.

Visão de mercado: genética e integração lavoura-pecuária

"Se você faz uma boa compra, todo o restante do processo é mais fácil. Agora, se você fizer uma compra ruim, não tem mágica que você faça durante o processo para corrigir essa compra", ensina. Defensora do investimento em genética, aponta o Nelore como carro-chefe do Cerrado pela rusticidade, mas alerta que a genética precisa estar aliada à estrutura da fazenda (água, cercas, sombreamento) e à sanidade animal.

Um dos movimentos mais fortes que acompanha de perto é a Integração Lavoura-Pecuária no Oeste da Bahia, com produtores de grãos descobrindo o "boi safrinha". A disponibilidade de subprodutos agrícolas, como palhada e DDG, barateou o custo da arroba produzida. "Eu tenho clientes que ano retrasado me compraram 3, 4 mil animais, que esse ano já estão comprando 7, 8 mil", revelou.

Um legado de inspiração

Aos 37 anos, Vera Luize Maciel Callai é muito mais que uma corretora: é técnica em agronegócio, empresária, mãe e uma voz ativa na promoção de eventos técnicos da pecuária na região. Sua presença em leilões de renome, assessorando parceiros como Japaranduba Ganar, Antônio Balbino e Jacarezinho, atesta seu trânsito livre entre a pecuária comercial e a de elite.

Em um setor onde o "fio do bigode" e a palavra dada ainda valem ouro, Vera do Gado provou que competência, estudo e transparência não têm gênero.

Se você faz uma boa compra, todo o restante do processo é mais fácil.

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Perguntas frequentes

Quem é Vera Maciel?
Vera Maciel é corretora e empresária do comércio de gado, a "Rainha do Gado" do Oeste Baiano. Vera do Gado: a pedagoga que se tornou a Rainha da Pecuária no Oeste Baiano O agronegócio é um universo vasto e, historicamente, dominado pela presença masculina, especialmente quando o assunto é a lida direta com o gado.
De onde é Vera Maciel?
Itabuna/Ilhéus (BA), radicada em Barreiras.
Sobre o que Vera Maciel fala no Agro em Debate?
A conversa passa por pecuária, originação e comércio de gado, mulheres no agro, genética e nelore, integração lavoura-pecuária, confinamento, oeste baiano.
Onde assistir à entrevista de Vera Maciel?
No episódio "EP 120 - De assistente comercial a referência no boi: a trajetória de Vera Maciel no agro", disponível no canal do Agro em Debate no YouTube.

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