
Paulo Sibin
Produtor rural, pioneiro do café irrigado no Oeste Baiano e produtor de grãos
São João da Boa Vista (SP), radicado em Luís Eduardo Magalhães (BA)
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
A história do agronegócio no Brasil é feita de coragem, inovação e, acima de tudo, capacidade de adaptação.
- Atuação
- Produtor rural, pioneiro do café irrigado no Oeste Baiano e produtor de grãos
- Origem
- São João da Boa Vista (SP), radicado em Luís Eduardo Magalhães (BA)
- Episódios
- 1
Temas
Biografia
A história do agronegócio no Brasil é feita de coragem, inovação e, acima de tudo, capacidade de adaptação. No coração do Oeste Baiano, a trajetória do produtor rural Paulo Sibin — conhecido carinhosamente como Paulão — ilustra perfeitamente o espírito de quem desbravou o Cerrado e transformou desafios climáticos e logísticos em oportunidades de ouro.
DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA AO DESBRAVAMENTO DO CERRADO
A raiz da família Sibin no agronegócio é profunda. Natural de São João da Boa Vista (SP), Paulo é filho de mãe paulista e pai mineiro. O pai foi agrônomo formado na primeira turma da faculdade de Espírito Santo do Pinhal e cultivava batata. A família também tinha negócios no ramo de mármore e granito antes de adquirir a primeira fazenda de café em 1984.
Durante muitos anos, a operação familiar concentrou-se no café Arábica (Catuaí e Mundo Novo) em regime de sequeiro: cerca de 400 a 500 hectares em quatro fazendas, três no sul de Minas Gerais (Machado e Alfenas) e uma em São Paulo.
O ponto de virada veio em 1994, quando uma geada severa dizimou praticamente 80% das lavouras da família no Sudeste. A busca por uma alternativa livre desse risco climático virou obsessão. A resposta apareceu na televisão: o tio Sérgio assistiu a uma reportagem do Globo Rural mostrando uma fazenda no Oeste Baiano que colhia 100 sacas de café por hectare. Inspirado, ele viajou para a Bahia em 1997 e comprou uma propriedade bruta de “cerradinho”, a 200 km de Luís Eduardo Magalhães e a 50 km do asfalto mais próximo. Ali nascia a Fazenda Grande Leste.
O PIONEIRISMO NA IRRIGAÇÃO E O CUSTO DO PROGRESSO
O primeiro contato de Paulo com o Oeste Baiano foi em 1998, quando viajou na cabine de um caminhão acompanhando a entrega do primeiro trator para a abertura da fazenda. O cenário era de desbravamento absoluto: sem energia elétrica, sem asfalto, com a equipe dormindo em barracas de lona.
Para viabilizar o café, a família tomou uma decisão audaciosa: gastou o dobro do valor da fazenda apenas para puxar 50 quilômetros de rede de energia elétrica. A rede foi depois doada à concessionária local para manutenção, um ato pioneiro que beneficiou inúmeros produtores e ajudou a criar a próspera “Estrada dos Pivôs”.
A fazenda virou um laboratório de irrigação, com o primeiro pivô de 100 hectares da marca na região, seis motores de 250 cavalos bombeando água do rio, 2,5 km de tubulação suspensa em berços de concreto e um canal de 7 km operando por gravidade. “Foi um desafio muito grande na implantação. Vários agricultores chegaram depois e aprenderam com a nossa dificuldade, com nossos erros”, relembra.
O IMPÉRIO DO CAFÉ E A EXPORTADORA GRANDE LESTE
O esforço rendeu frutos. Quando Paulo se mudou definitivamente para a região em 2007, assumindo o gerenciamento da produção, a fazenda chegou a 1.600 hectares de café irrigado — quase 15% de toda a área plantada de café da região, que tinha cerca de 13 mil hectares.
A produtividade era excepcional: altitude de 800 metros, forte luminosidade, amplitude térmica de 35°C durante o dia e 15°C à noite e irrigação garantiam médias de 45 a 50 sacas por hectare, o dobro da média nacional do sequeiro. Não satisfeitos em apenas produzir, os Sibin fundaram a Exportadora Grande Leste, em São Paulo, que chegou a exportar 100 mil sacas por mês para o mundo inteiro — 95% desse volume de terceiros. Mais tarde, a empresa fundiu-se com a Terra Forte, em sociedade com João Faria, um dos maiores cafeicultores do Brasil.
A VIRADA ESTRATÉGICA: DO CAFÉ PARA OS GRÃOS
Toda cultura tem seus ciclos econômicos. O preço do café sofreu fortes pressões de baixa, enquanto os custos com adubação e controle de pragas — especialmente o bicho-mineiro, muito agressivo na Bahia — não paravam de subir. Ao mesmo tempo, a soja mostrava rentabilidade crescente na região.
Em 2019, um evento dramático acelerou a mudança. Num domingo seco de setembro, um incêndio iniciado em uma propriedade vizinha atingiu a Fazenda Grande Leste. O vento forte e o estresse hídrico tornaram o fogo incontrolável e destruíram 100 hectares de café debaixo de dois pivôs. Paulo e o primo Sérgio decidiram erradicar o café queimado e plantar soja, aproveitando a adubação residual de 20 anos de cafezal, com tratores simples e sem tecnologia de precisão. O resultado foi estrondoso: a primeira colheita entregou 90 sacas por hectare de média.
“Eu costumo brincar com meus amigos cafeicultores que eu precisei sair da atividade para o café melhorar e o preço subir. Mas, se a gente tivesse ficado no café naquela época, era perigoso”, reflete.
O LEGADO DE RESILIÊNCIA
Em 2021, com a aposentadoria dos tios, a Fazenda Grande Leste foi vendida para um grande grupo agrícola. A trajetória de Paulo no Oeste Baiano, porém, continuou: hoje ele é um produtor de grãos altamente respeitado, com registros recentes de mais de 91 sacas de soja por hectare. Sua história prova que o sucesso no campo não se resume a plantar a mesma semente todos os anos, mas a investir em infraestrutura, aprender com os erros e ter visão estratégica para mudar de rota quando o mercado e a natureza exigem.
“Vários agricultores chegaram depois e aprenderam com a nossa dificuldade, com nossos erros”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é Paulo Sibin?
- Paulo Sibin é produtor rural, pioneiro do café irrigado no Oeste Baiano e produtor de grãos. A história do agronegócio no Brasil é feita de coragem, inovação e, acima de tudo, capacidade de adaptação.
- De onde é Paulo Sibin?
- São João da Boa Vista (SP), radicado em Luís Eduardo Magalhães (BA).
- Sobre o que Paulo Sibin fala no Agro em Debate?
- A conversa passa por café irrigado, oeste baiano, pivôs e irrigação, soja, exportação de café, sucessão e gestão familiar.
- Onde assistir à entrevista de Paulo Sibin?
- No episódio "EP 112 - O risco real de produzir grãos no oeste baiano - com Paulo Sibin", disponível no canal do Agro em Debate no YouTube.


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