
Ana Brizot
Produtora rural pioneira, matriarca de uma família do agro no Vale do Araguaia
Coronel Freitas (SC) — Vila Rica (MT)
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
Ana Brizot, a Dona Ana, é uma produtora rural pioneira e a matriarca de uma família que atravessou mais de meio século da fronteira agrícola brasileira.
- Atuação
- Produtora rural pioneira, matriarca de uma família do agro no Vale do Araguaia
- Origem
- Coronel Freitas (SC) — Vila Rica (MT)
- Episódios
- 1
Temas
Biografia
Ana Brizot, a Dona Ana, é uma produtora rural pioneira e a matriarca de uma família que atravessou mais de meio século da fronteira agrícola brasileira. De origem italiana, saiu do Sul ainda jovem, ajudou a abrir áreas no Centro-Oeste e hoje toca, ao lado dos filhos e do marido, uma operação de agricultura e pecuária no Vale do Araguaia, em Mato Grosso. No Agro em Debate, gravado na feira XinguTec, em Confresa, ela contou essa trajetória e deixou um recado de fé e resiliência para o produtor rural.
A saga de uma família italiana
A história de Dona Ana começa na Itália, de onde vieram seus antepassados, que se instalaram no Rio Grande do Sul, em Monte Belo e Bento Gonçalves. A família, dos sobrenomes Brizot e Maffissone, seguiu depois para Santa Catarina, para a região de Coronel Freitas, perto de Chapecó, onde plantava feijão, tocava uma pequena madeireira e fazia comércio, levando feijão e porco para vender em São Paulo. Filha de Ângelo Brizot e Amália Maffissone Brizot, Ana é uma de seis irmãos e aprendeu a trabalhar desde criança. É uma linhagem, como ela gosta de dizer, que vem se renovando de geração em geração.
A marcha para o Centro-Oeste
Em 1972, a família fez a travessia para o Centro-Oeste e se instalou em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, onde a primeira casa foi a do pai de Ana. Ali plantaram arroz de sequeiro com máquinas rudimentares, catavam raízes e amontoavam o cerrado para queimar e abrir área, e estudavam numa escola improvisada, sentados em tijolos e tábuas. Em 1976, o pai comprou terras em Tapurá, no Mato Grosso, e um primo, Gilberto Brizot, que viria a ser o primeiro prefeito do município, ajudou a abrir a fazenda. Em 1982, aos 18 anos, Ana chegou a Nova Mutum, quando ainda não havia estrada, fazendo parte da geração de desbravadores que abriu aquela região ao lado de nomes que se tornariam referências do agro mato-grossense. Em 2015, mudou-se para Vila Rica, no Vale do Araguaia, atrás de uma nova fronteira para crescer.
O grupo da família hoje
Hoje a base de Dona Ana é Vila Rica, no leste de Mato Grosso, uma das regiões mais produtivas do país, embora ela mantenha terras também em São Gabriel do Oeste e em Tapurá, hoje arrendadas, e áreas no Pará, na região de São Félix do Araguaia e na divisa com Mato Grosso. A produção é diversificada. Na agricultura, planta soja, milho e feijão mungo, verde e preto, voltado à exportação, e planeja incluir o gergelim. Na pecuária, mantém um semiconfinamento e áreas de pastagem no Pará. O grupo tem estrutura própria, com secador e armazém ao lado do aeroporto de Vila Rica, fábrica de ração, produção de farelo de soja e empacotadora de feijão, e emprega cerca de 60 pessoas. Mais do que uma empresa, é um negócio de família: o grupo é formado por ela, pelos três filhos, Ricardo, Ana Paula e Rafael, e pelo marido, Zaqueu, e já se multiplica em onze netos.
Fé e resiliência
O que Dona Ana faz questão de transmitir é uma mensagem de fé. Para ela, não existe produtor rural ateu, porque plantar é um ato de esperança: a semente nasce verde e chega à colheita cor de ouro. É essa crença, diz, que sustenta o produtor diante de um negócio a céu aberto, sujeito à seca, à chuva e ao preço da commodity. Ela lembra que a agricultura sempre teve ciclos, com a soja já muito baixa e já muito alta, e que a cada poucos anos algo muda, de modo que a saída é diversificar culturas e ter paciência. Não poupa críticas ao momento atual, com juros altos e crédito que não chega ao produtor, e conta que levou quase três anos para que o banco aceitasse repactuar suas dívidas, mesmo nunca tendo atrasado um pagamento. Aos produtores que enfrentam dificuldade, deixa um conselho simples: ter calma e fé, plantar um pouco menos quando não dá para plantar tudo, buscar parcerias e, acima de tudo, não desistir, porque o ciclo sempre melhora.
O legado do trabalho
Perguntada sobre o que aprendeu com os pais, Dona Ana vai direto ao exemplo. Fala da honestidade, da verdade e do valor da família, e resume que o maior presente que o pai lhe deu foi ensinar a trabalhar. Conta, com orgulho, que ele acompanhou cada fazenda dos filhos, visitando, cobrando e corrigindo até o fim da vida, e que morreu aos 94 anos, há cerca de quatro, enquanto a mãe acaba de completar 90. É esse senso de continuidade que ela carrega. Para Dona Ana, os talentos que caem nas mãos de cada um precisam ser multiplicados, e é assim, de geração em geração, que ela prepara os filhos e os netos para seguir no campo.
“Se não existir Deus no agro, não funciona, porque tudo é uma esperança.”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é Ana Brizot?
- Ana Brizot, a Dona Ana, é uma produtora rural pioneira e matriarca de uma família do agro no Vale do Araguaia, em Mato Grosso. De origem italiana, atravessou mais de meio século da fronteira agrícola, do Sul ao Centro-Oeste, e hoje toca agricultura e pecuária ao lado dos filhos e do marido.
- De onde é Ana Brizot?
- É de origem italiana, com a família vinda do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, da região de Coronel Freitas. Migrou para o Mato Grosso do Sul em 1972 e hoje vive em Vila Rica, no Vale do Araguaia.
- Sobre o que Ana Brizot fala no Agro em Debate?
- A conversa passa por sua trajetória de pioneira, a migração do Sul para o Centro-Oeste, a produção diversificada de grãos e pecuária no Vale do Araguaia, a sucessão familiar e a fé e a resiliência do produtor rural.
- Onde assistir à entrevista de Ana Brizot?
- No Agro em Debate, na edição especial gravada na feira XinguTec, em Confresa, disponível no canal do podcast no YouTube.


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