
Ormízio Celeste
Pecuarista e negociante de terras, pioneiro do sul do Tocantins
Interior de São Paulo — Araguaçu (TO)
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
Ormízio Celeste, pecuarista e negociante de terras em Araguaçu, no sul do Tocantins, chegou ao então norte de Goiás há mais de 50 anos e nunca parou de negociar.
- Atuação
- Pecuarista e negociante de terras, pioneiro do sul do Tocantins
- Origem
- Interior de São Paulo — Araguaçu (TO)
- Episódios
- 1
Temas
Biografia
Ormízio Celeste, pecuarista e negociante de terras em Araguaçu, no sul do Tocantins, chegou ao então norte de Goiás há mais de 50 anos e nunca parou de negociar. Aos 93 anos, ainda toca a cria de gado, arrenda terra para soja e mantém o faro para a compra e venda de fazendas que o sustentou por mais de meio século. Pela contabilidade dele mesmo, já passaram por suas mãos cerca de 45 fazendas em 18 municípios de Goiás, Tocantins e São Paulo. A trajetória de Ormízio se confunde com a da própria fronteira agrícola brasileira, contada por quem chegou quando a região ainda era mato bruto e a terra valia menos do que um bezerro.
COMO ORMÍZIO SAIU DE UM BOTECO NA ANHANGUERA PARA A FRONTEIRA DE GOIÁS
Ormízio nasceu e foi criado no interior de São Paulo, onde viveu até os 15 anos. Antes de virar homem do campo, tocou um boteco na beira da Via Anhanguera, quando a rodovia ainda era estrada de chão e passava na porta do estabelecimento. Foram sete anos ali. A virada veio pela família da mulher, que morava em Anápolis, e por um marco do país: em 21 de abril de 1960, ele desceu de São Paulo para assistir à inauguração de Brasília e levou os pais junto. Pouco depois, mudou-se para Goiás, na faixa que hoje é o sul do Tocantins, e nunca mais saiu. “Estou aí há mais de 50 anos”, resume.
COMO ORMÍZIO COMPROU SUAS PRIMEIRAS TERRAS TROCANDO BEZERROS POR ALQUEIRES
O método que ergueu seu patrimônio era o da fronteira. Ormízio tomava financiamento no Banco do Brasil, abria a terra com o chamado arroz de abertura, plantio que limpava e condicionava o solo bruto antes de virar pasto, e ia formando fazenda. Com o gado, comprava mais terra. A conta que ele guarda na memória resume a época: vendeu 800 bezerros machos e, com o dinheiro, comprou mais de mil alqueires de terra boa, porque um bezerro valia então um pouco mais do que um alqueire de terra ainda por desmatar. “Cada bezerro que eu vendi, eu comprei um alqueire e ainda sobrou”, conta. Era o retrato de um tempo em que a terra do cerrado custava quase nada e quem tinha coragem de abri-la fazia patrimônio.
A REGRA DE NEGÓCIO DE ORMÍZIO: COMPRAR POR MAIS E VENDER POR MENOS
O que parece contradição virou filosofia de negócio. Ormízio diz que sempre comprou “por um pouquinho mais” e vendeu “por um pouquinho menos” do que o mercado, e que foi assim, sem pressa, que atravessou décadas sempre ganhando. “Se você não pagar um pouquinho mais, não compra. E se não vender um pouquinho por menos, não vende”, explica. A tese é simples: comprava bem, dava uma arrumada na fazenda, “enfeitava” e revendia quando aparecia o negócio. Nunca precisou de propaganda. E fez quase tudo no fio do bigode, no aperto de mão que valia mais que o papel, sem, segundo ele, um único atrito de compra e venda em toda a vida.
O QUE ORMÍZIO CELESTE TOCA HOJE NO SUL DO TOCANTINS E EM GOIÁS
Mesmo reduzindo o ritmo, ele não parou. Hoje mantém a pecuária de cria em Araguaçu e na região de Santa Holândia, no Vale do Araguaia, uma das áreas de maior rebanho do Tocantins. Prefere criar: fica com as vacas e vende os bezerros na desmama, num momento em que o preço do bezerro está aquecido. Há cerca de quatro anos vendeu uma de suas fazendas, que já tinha 300 alqueires de soja, para um comprador da própria região. Ainda mantém em torno de 800 alqueires entre Araguaçu e Professor Jamil, em Goiás, arrendados para o plantio de soja, e está oferecendo pasto para arrendamento. Boa parte do que construiu já repassou a parentes. E fez questão de fechar um ciclo: comprou de volta, dos herdeiros, o sítio no interior de São Paulo onde foi criado.
A PALAVRA DADA E A MODA DE VIOLA AOS 93 ANOS
Aos 93 anos, Ormízio segue lúcido, ligado nos negócios e com a memória afiada. Na conversa, entre um caso e outro, ainda solta de cor os refrões de moda de viola que aprendeu na juventude. É a memória viva de um Brasil rural que fez negócio no olho no olho, quando a palavra dada bastava. “A gente tem que saber controlar”, diz, ao falar de uma vida inteira de terra, gado e negociação. Segue diminuindo os compromissos aos poucos, como quem sabe a hora, mas sem largar de vez o que sempre o moveu.
“Se você não pagar um pouquinho mais, não compra. E se não vender um pouquinho por menos, não vende.”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é Ormízio Celeste?
- Ormízio Celeste é pecuarista e negociante de terras em Araguaçu, no sul do Tocantins. Aos 93 anos, segue na cria de gado e no arrendamento de áreas para soja, depois de mais de 50 anos comprando e vendendo fazendas na fronteira agrícola.
- Quantas fazendas Ormízio Celeste já comprou e vendeu?
- Pela contabilidade dele mesmo, cerca de 45 fazendas em 18 municípios de Goiás, Tocantins e São Paulo. Quase todos os negócios foram fechados no aperto de mão, sem um único atrito de compra e venda.
- Como Ormízio Celeste comprou suas primeiras terras?
- Com financiamento do Banco do Brasil e o chamado arroz de abertura, que limpava o solo bruto antes de virar pasto. Com o gado, comprava mais terra: vendeu 800 bezerros e comprou mais de mil alqueires, porque um bezerro valia mais que um alqueire de mata.
- Onde Ormízio Celeste atua hoje?
- Mantém a pecuária de cria em Araguaçu e na região de Santa Holândia, no Vale do Araguaia, e cerca de 800 alqueires entre Araguaçu e Professor Jamil (GO) arrendados para soja.
- Em que episódio do Agro em Debate ele aparece?
- No EP 123 do Agro em Debate, “93 anos de vida: compra de terras, pecuária e histórias do agro”, disponível no canal do podcast no YouTube.


Ana Brizot
Dr. Eugênio
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Roberto Barcellos