
Cornélio Sanders
Fundador do Grupo Progresso, um dos maiores produtores de soja do Piauí
Rio Grande do Sul — Uruçuí (PI)
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
Cornélio Sanders é um dos maiores produtores de soja do Piauí e o fundador do Grupo Progresso.
- Atuação
- Fundador do Grupo Progresso, um dos maiores produtores de soja do Piauí
- Origem
- Rio Grande do Sul — Uruçuí (PI)
- Episódios
- 1
Temas
Biografia
Cornélio Sanders é um dos maiores produtores de soja do Piauí e o fundador do Grupo Progresso. Filho de imigrantes holandeses que chegaram ao Brasil em 1949 com poucos hectares, ele conduziu uma das mais longas marchas da fronteira agrícola brasileira, do interior do Rio Grande do Sul ao Cerrado piauiense. Hoje o grupo cultiva perto de 100 mil hectares de soja, milho e algodão, produz sementes que abastecem vários estados e entra no negócio de etanol, com faturamento que passa de R$ 1 bilhão por ano.
DE SETE HECTARES NA HOLANDA AO BRASIL
A história da família Sanders começa na Holanda, de onde os pais de Cornélio partiram em 1949, poucos anos depois da Segunda Guerra e com medo de um novo conflito. Deixaram para trás sete hectares de batata e couve e trouxeram vários filhos, parte deles nascidos ainda na Europa. Católicos, foram primeiro para Holambra, em São Paulo, mas o pai não quis ficar preso à cooperativa e seguiu para Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, por volta de 1951. Em 1959 a família se mudou para Ernestina, também no Rio Grande do Sul, onde comprou 120 hectares. Cornélio, então com quatro ou cinco anos, lembra de ter feito a viagem numa charrete, com uma vaca de leite amarrada atrás. Ao longo dos anos seguintes os Sanders foram crescendo no estado, e chegaram a Santa Bárbara do Sul em 1969. Eram onze filhos. O pai morreu em 1970, quando Cornélio tinha 15 anos.
A MARCHA PARA O CENTRO-OESTE
Aos 21 anos, em 1977, Cornélio assumiu as terras que a família havia comprado no Mato Grosso do Sul, em Ponta Porã, e passou a tocar também a operação de Paracatu, em Minas Gerais. Em 1985, somou uma fazenda em Primavera do Leste, no Mato Grosso, e passou a administrar áreas separadas por mil quilômetros. A de Mato Grosso, arenosa, ele acabou transformando em pecuária e vendeu em 1993, depois de ter sido um dos primeiros da região a adotar inseminação artificial e cruzamento industrial. Em 1997, os irmãos decidiram concentrar as propriedades em Paracatu, onde a família foi pioneira na irrigação por pivô, iniciada ainda em 1981, e chegou a ter uma das maiores áreas irrigadas da América Latina. Em 2000, para evitar futuros problemas de inventário, Cornélio e o irmão separaram a sociedade ainda em vida.
A APOSTA NO PIAUÍ
Livre para buscar novas fronteiras, Cornélio garimpou várias regiões e escolheu o sul do Piauí, atraído pela terra barata e por um regime de chuvas de novembro a abril. Em 2001 comprou a primeira área, de 10.300 hectares, parte dela da família Orléans e Bragança, o que rendeu à propriedade o nome de Fazenda Imperial. A terra bruta custava o equivalente a poucos sacos de soja por hectare. A aposta foi cautelosa: plantar um ou dois anos e só investir se desse certo. O primeiro ano foi uma catástrofe, com 13 sacas por hectare. No segundo, saltou para 53, e no terceiro veio a confirmação. Sem variedades adaptadas à região, Cornélio firmou parceria com a FT Sementes para desenvolver materiais de ciclo mais longo, entrou no algodão e montou a própria algodoeira em 2006. Foi assim, safra a safra, que ajudou a transformar um Cerrado no qual ninguém acreditava em uma das fronteiras mais produtivas do país.
O GRUPO PROGRESSO HOJE
Hoje o Grupo Progresso cultiva perto de 95 mil hectares de soja, milho e algodão, distribuídos por cinco fazendas no Piauí, na região de Uruçuí e Sebastião Leal, e uma em Paracatu. Somadas todas as áreas, Cornélio calcula 165 mil hectares. O grupo emprega cerca de 700 pessoas e tem faturamento que passa de R$ 1,3 bilhão, entre a divisão agrícola e a Progresso Sementes. A operação de sementes é um capítulo à parte: são cerca de 1,8 milhão de sacos de soja por ano, entre produção própria e parceiros, com 87 mil hectares de campos registrados. O padrão de qualidade é rígido, e Cornélio conta que chegou a descartar 400 mil sacos para a indústria por estarem abaixo do vigor mínimo que aceita vender. A frente mais nova é uma usina de etanol de milho e sorgo em Uruçuí, tocada em parceria com a Brasil Bioenergia, com investimento superior a R$ 1 bilhão e início de operação previsto para 2026. Da usina, o grupo pretende aproveitar a energia excedente para viabilizar um projeto de irrigação, num estado em que a falta de energia é o principal gargalo.
FORMAÇÃO, FÉ E LEGADO
Boa parte do que Cornélio construiu passou pela formação de gente. Sem mão de obra qualificada quando chegou, começou treinando trabalhadores dentro de casa e chegou a bancar cursos técnicos fora do estado. Hoje o grupo ajudou a levar escolas de agricultura de precisão para Uruçuí e Sebastião Leal, com centenas de alunos. A esposa, Anne, que o acompanhou por toda a trajetória, deixou o grupo há alguns anos para se dedicar ao Instituto Cultivar Progresso, o braço social da família. A sucessão foi feita há cerca de oito anos, e os três filhos atuam no grupo, com o mais velho, Gregory, à frente da operação no Piauí. Dos pais, Cornélio diz ter herdado valores simples e inegociáveis: trabalho duro, honestidade e o cuidado de nunca prejudicar ninguém. Pé no chão, encara o momento com cautela e prevê dois anos difíceis pela frente, de custos altos, preços em queda e crédito caro, mas segue tocando o que já começou.
“Não é ganhar fácil. Tem que trabalhar para ganhar.”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é Cornélio Sanders?
- Cornélio Sanders é o fundador do Grupo Progresso e um dos maiores produtores de soja do Piauí. Descendente de imigrantes holandeses, construiu ao longo de décadas, do Rio Grande do Sul ao Cerrado piauiense, uma operação que hoje cultiva perto de 95 mil hectares e fatura mais de R$ 1 bilhão.
- De onde é Cornélio Sanders?
- Nasceu no interior do Rio Grande do Sul, filho de holandeses que imigraram em 1949, e hoje vive e produz no sul do Piauí, na região de Uruçuí.
- Sobre o que Cornélio Sanders fala no Agro em Debate?
- A conversa percorre a saga da família da Holanda ao Cerrado, a abertura da fronteira agrícola do Piauí, a produção de sementes de soja, o novo negócio de etanol de milho e a sucessão familiar.
- Onde assistir à entrevista de Cornélio Sanders?
- No episódio EP 103 do Agro em Debate, disponível no canal do podcast no YouTube.


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