Walmir Novaes

Walmir Novaes

Comerciante de boi e grão que se tornou grande produtor no Oeste Baiano

Maracás (BA) — Oeste Baiano (BA)

Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.

Resumo

Walmir Novaes começou a vida cedo e por conta própria.

Atuação
Comerciante de boi e grão que se tornou grande produtor no Oeste Baiano
Origem
Maracás (BA) — Oeste Baiano (BA)
Episódios
1

Temas

PecuáriaComércio de BoiConfinamentoGrãosResiliência no AgroSucessão Familiar

Biografia

Walmir Novaes começou a vida cedo e por conta própria. Saiu de casa aos 11 anos, foi corretor de carros e motos ainda adolescente e, aos 15, entrou no comércio de boi que definiria boa parte da sua trajetória. Do gado ao grão, e do grão à terra, construiu ao longo de décadas uma operação que hoje se espalha por Bahia, Goiás, Tocantins e Pará, sempre guiado por uma máxima herdada do pai e por uma fé que coloca à frente de tudo. No Agro em Debate, gravado na Bahia Farm Show, ele contou como se vence no agro atravessando uma crise atrás da outra.

De Maracás ao mundo dos negócios

Walmir nasceu em Maracás, no extremo sul da Bahia, neto e filho de produtores rurais de pequena escala. O pai, Raimundo Novaes, e a mãe, Maria de Lourdes Dias Novaes, tocavam uma pecuária e uma agricultura de subsistência. Ele saiu de casa aos 11 anos para tentar a sorte, movido pela vontade de fazer diferente. Começou como corretor de carros e motos e, aos 15, entrou no comércio de boi, a atividade que o sustentaria pelos anos seguintes.

O comerciante de boi

O negócio de Walmir era comprar e vender gado. Adquiria bezerros e bezerras em Santa Maria da Vitória e Correntina, no oeste baiano, e revendia para recriadores do Nordeste. O sonho era chegar a Goiás, que ele considerava a capital do boi, mas a logística era brutal. Os cerca de 230 km de Correntina até o antigo Posto Rosário eram de chão e areia fofa, e uma única viagem podia consumir um dia inteiro. Quando o asfalto chegou, ele se mudou para a região de Posse, em Goiás, onde viveu cerca de 25 anos e ampliou o comércio de boi para todo o Nordeste. Foi o tempo em que, segundo ele, o mercado ainda era muito local, antes de a industrialização do setor, puxada pelos grupos que viriam a se tornar gigantes como a JBS, mudar as regras do jogo.

Do boi ao grão, e do grão à terra

Quando o comércio de boi vivo perdeu força, Walmir migrou para os grãos, e diz ter chegado a negociar 100 mil sacas por mês ao longo de cerca de 15 anos. Foi também nessa fase que comprou terra. Em 1998, adquiriu uma fazenda atrás do Posto Rosário por volta de cinco sacas de soja por hectare, área que, brinca, hoje valeria mais de mil sacas por hectare. É uma propriedade de sequeiro que, pela posição na crista da serra, recebe algumas chuvas a mais por ano, o que ele trata como uma irrigação natural. Ali planta soja, sorgo, milho e capim, e foi onde ergueu a aposta mais recente.

O confinamento e a filosofia do boi

Hoje a operação de Walmir combina lavoura e pecuária em vários estados. Ele mantém gado no Araguaia, entre Sandolândia, no Tocantins, e Santana do Araguaia, no Pará, onde trabalha com recria, toca a fazenda de soja e estrutura um confinamento na divisa de Correntina, na Bahia, com Guarani de Goiás, com capacidade para 10 mil cabeças. O ritmo é deliberadamente cauteloso, começando com cerca de 2 mil animais e crescendo ano a ano até a capacidade plena por volta de 2030, à medida que forma o que chama de capital humano. A filosofia é direta e aritmética: no boi, diz, o lucro está na compra. Compra resultado, não raça, decide pela matemática e foi aos Estados Unidos estudar confinamentos no Texas. A meta é fechar cada vez mais o gado no cocho, com comida barata à base de feno e resíduos como a palha de algodão, aproveitando a logística e a oferta de alimento da região. De chapa de caminhão a dono de uma frota que chegou a 60 veículos, afirma ter construído do zero, sem herança e sem dívidas, um patrimônio que hoje calcula acima de R$ 1 bilhão.

Fé, crises e a lição do pai

Se há um fio que costura a história de Walmir, é a travessia de crises. Ele conta ter atravessado décadas de turbulência econômica, do congelamento de recursos no governo Collor à política cambial do Plano Real, que apertou o mercado de boi, passando pela crise financeira de 2008, que pegou em cheio um confinamento alavancado, com boi comprado caro e vendido barato. A recuperação, diz, veio forte na pandemia. Em cada tombo, ele aponta dois sustentáculos: a fé, que professa abertamente e coloca no comando das decisões, e a família. Trata os colaboradores como parceiros, defende dividir o resultado com quem ajuda a construir e credita boa parte do que tem a valores que vêm de berço. Do pai, Raimundo, guarda os ditados que repete como bússola, entre eles o que abre e fecha suas reflexões. Já perto dos 50 anos, formou-se em Direito, sinal do apreço que tem pelo estudo. Hoje, em fase de transição, passa o legado aos filhos, com Paulo à frente da pecuária da família.

“Problema todo dia, pepino toda hora, desistir jamais. Só vence os fortes.”

Episódios

Perguntas frequentes

Quem é Walmir Novaes?
Walmir Novaes é produtor rural do Oeste Baiano. Começou como corretor e comerciante de boi e grão e hoje reúne lavoura e pecuária em vários estados, incluindo um confinamento estruturado para 10 mil cabeças.
De onde é Walmir Novaes?
Nasceu em Maracás, no extremo sul da Bahia, e construiu a vida no Oeste Baiano, com operações também em Goiás, Tocantins e Pará.
Sobre o que Walmir Novaes fala no Agro em Debate?
A conversa passa por sua trajetória de superação, o comércio de boi e de grãos, a montagem de um confinamento, a gestão de risco na pecuária e o papel da fé e da resiliência para atravessar as crises do agro.
Onde assistir à entrevista de Walmir Novaes?
No episódio “EP 127 — Como vencer no agro em meio às crises: a visão de Walmir Novaes”, disponível no canal do Agro em Debate no YouTube.

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