
João Jorge
Zootecnista e consultor de pecuária e integração lavoura-pecuária no Oeste Baiano
Rio de Janeiro (RJ) — Oeste Baiano (BA)
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
João Jorge Pieroni Tertius, conhecido como João Jorge, é zootecnista e um dos consultores de pecuária mais procurados do Oeste Baiano, com foco na integração lavoura-pecuária.
- Atuação
- Zootecnista e consultor de pecuária e integração lavoura-pecuária no Oeste Baiano
- Origem
- Rio de Janeiro (RJ) — Oeste Baiano (BA)
- Episódios
- 1
Temas
Biografia
João Jorge Pieroni Tertius, conhecido como João Jorge, é zootecnista e um dos consultores de pecuária mais procurados do Oeste Baiano, com foco na integração lavoura-pecuária. Carioca de nascimento e baiano de criação, cresceu numa família de pioneiros do campo e transformou uma vida inteira de trabalho prático, da roça à gestão, num método para tornar fazendas de gado mais rentáveis. No Agro em Debate, gravado na Bahia Farm Show, ele contou sua história e explicou como ajuda produtores a enxergar a própria fazenda por meio dos números.
A escola da avó
João Jorge nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado na Bahia, numa região de pecuária, a ponto de não ter sotaque de carioca. A relação da família com a terra vem de longe. O bisavô foi um dos pioneiros a abrir áreas no Norte de Minas, derrubando mata e vendendo madeira, e chegou a tocar uma fazenda de cerca de 8 mil hectares que abrigava até 900 famílias, com laticínio, produção de feijão, leite e manteiga e até igreja própria. Quem marcou a formação de João, porém, foi a avó. Depois de se separar, ela assumiu a fazenda, tratou de tecnificá-la e deu ao neto, por volta dos 17 anos, o primeiro registro em carteira. Foi ela quem o ensinou a olhar uma cerca e quem, contra o ceticismo da época, apostou em levar trator e herbicida para uma região ainda muito atrasada em mão de obra. Dali João seguiu para a faculdade de zootecnia, onde descobriu que, mais do que a nutrição, o que o fascinava eram os números e a economia da fazenda.
De peão a consultor
A trajetória de João foi construída no trabalho braçal. Trabalhou para a avó, depois para a mãe, numa área de acesso tão difícil que ele atravessava um rio de canoa, levando estacas e material para erguer a casa do outro lado. Mais tarde, foi trabalhar para um vizinho, Marcelo Moura, que investiu na formação dele e bancou cursos que não poderia pagar sozinho. Foi nessa fase, por volta de 2005, que teve uma virada de chave ao refazer o custo da fazenda incluindo a depreciação: o que parecia custar 5 ou 6 reais por cabeça ao mês, na verdade custava 11. A lição de que número bom é número completo nunca mais o deixou. Hoje João atua como consultor e, há cinco anos, integra o time do Instituto Inttegra, de Antônio Chaker, onde diz manter um aprendizado contínuo.
Em que ano a sua fazenda está?
O método de João começa por uma provocação. Ele costuma perguntar ao produtor em que ano a fazenda está, ou que carro ela seria, para fazê-lo enxergar, sem julgamento, o próprio atraso tecnológico. A partir daí, propõe montar uma escola, uma área pequena que funciona como laboratório de testes, em vez de tentar mudar tudo de uma vez. Antes de qualquer estratégia, entrevista o dono e a equipe para entender a história de vida de cada um, porque transformar uma fazenda é, sobretudo, quebrar um modelo mental. A gestão, defende, precisa ser simples a ponto de caber numa folha A4, e sustentada por dados. Ele acompanha de perto quatro indicadores, o ganho médio diário, a lotação, o desembolso por cabeça ao mês e o valor da arroba, cujo equilíbrio todo sistema tende a desorganizar. Sem números, resume, o produtor dirige um carro sem painel, decidindo pelo humor do dia.
A integração lavoura-pecuária
A especialidade de João é a integração lavoura-pecuária, e ele acompanha a técnica no Oeste Baiano desde o início. Trabalhou na Capitar, operação pioneira que começou colocando o gado para aproveitar as restevas de milho, soja e algodão antes de se tornar um grande confinamento, e viu de perto a desconfiança inicial dos agricultores, que temiam a compactação do solo. Entre seus casos está o de Eduardo Manjabosco, produtor que faz integração há cerca de 14 anos e com quem João trabalha há aproximadamente sete. Ali, ajustando dieta e manejo com a mesma quantidade de alimento, elevou o boi de 18 para 20,5 arrobas, e passou a terminar os animais no sistema de terminação intensiva a pasto, com subprodutos como o DDG de milho e o sorgo, para abater na época de melhor preço. A fazenda mantém parceria com a Embrapa para análises e para estruturar créditos de carbono. Boa parte da eficiência vem de uma solução simples de manejo: um sistema de cerca elétrica com bebedouros móveis em que uma equipe de oito pessoas monta cerca de 100 hectares por dia, sempre respeitando uma cobertura mínima de palha no solo e a regra de o gado entrar depois da chuva e sair antes dela, para não compactar a terra.
Transformar, não julgar
Para João, o maior desafio não é técnico, é humano. Ele aprendeu a ser persuasivo e firme, cobrando entregas e combinando metas claras com o produtor, mas sempre com respeito, porque cada pessoa reage de um jeito. Gosta de citar um caso recente que resume sua visão. Numa fazenda de cria cujo dono havia falecido, encontrou 13% de mortalidade, muito acima do aceitável, fruto de um modelo em que o pai, um vencedor que crescera comprando terra, nunca precisou tornar a operação de carne rentável, porque seu talento real era comercial. Quando o filho assumiu, o jogo mudou: já não bastava fazer patrimônio, era preciso dar lucro. É a mesma reflexão que João faz sobre sucessão. O herdeiro, diz, precisa casar o próprio perfil com a aptidão da fazenda, em vez de copiar o pai ou o vizinho, porque uma recria lucrativa, por exemplo, exige um tino comercial que nem todos têm. A pecuária, insiste, é muito mais complexa e diversa do que parece, e começa por um plano de negócio bem feito.
“Em que ano a sua fazenda está?”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é João Jorge?
- João Jorge Pieroni Tertius é zootecnista e consultor de pecuária e integração lavoura-pecuária no Oeste Baiano, integrante do Instituto Inttegra. É reconhecido por transformar fazendas de gado por meio da gestão e dos números.
- De onde é João Jorge?
- Nasceu no Rio de Janeiro e foi criado na Bahia, em uma família de pioneiros do campo. Hoje atua como consultor no Oeste Baiano.
- O que é integração lavoura-pecuária?
- É um sistema que combina, numa mesma área, a produção de grãos e a criação de gado, usando o animal para aproveitar os restos de cultura e melhorar o solo. João Jorge é um dos especialistas na técnica no Oeste Baiano.
- Sobre o que João Jorge fala no Agro em Debate?
- A conversa trata da gestão da pecuária por indicadores, da integração lavoura-pecuária, do manejo de pastagem, da sucessão e da transformação de fazendas de gado em negócios rentáveis.
- Onde assistir à entrevista de João Jorge?
- No Agro em Debate, na edição especial gravada na Bahia Farm Show, disponível no canal do podcast no YouTube.


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