
Assis Strasser
Fundador e CEO da GTS do Brasil
Lages, Santa Catarina
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
Assis Strasser: a mente brilhante por trás da GTS e a revolução nas colheitas do Brasil para o mundo A história do agronegócio brasileiro é feita por quem enxerga soluções onde a maioria vê apenas problemas.
- Atuação
- Fundador e CEO da GTS do Brasil
- Origem
- Lages, Santa Catarina
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Biografia
Assis Strasser: a mente brilhante por trás da GTS e a revolução nas colheitas do Brasil para o mundo
A história do agronegócio brasileiro é feita por quem enxerga soluções onde a maioria vê apenas problemas. Foi exatamente essa inquietude que transformou um produtor rural gaúcho em um dos maiores líderes da indústria de implementos agrícolas do país. Assis Strasser, CEO e fundador da GTS do Brasil, não apenas construiu a maior plataforma de colheita do mundo, mas também exporta tecnologia verde-amarela para quase três dezenas de países.
Em uma conversa inspiradora no Agro em Debate, Assis revelou os bastidores de sua trajetória: das adaptações caseiras de maquinário na fazenda da família ao comando de uma multinacional em franca expansão.
A origem no campo e a semente da inovação
Filho de agricultores, Assis Strasser nasceu em Não-Me-Toque (RS), berço do plantio direto e da mecanização agrícola no Brasil. A agricultura sempre esteve no DNA da família, que possui mais de seis décadas de ligação com o setor. Na década de 1990, Assis e seus irmãos migraram para Campo Belo do Sul, na região serrana de Santa Catarina, em busca de novas áreas para expandir a lavoura.
Naquela época, a família cultivava cerca de 1.500 hectares, sendo considerados produtores de médio porte. Foi no dia a dia da fazenda que o espírito inventivo começou a falar mais alto. O incômodo era prático: por que o milho precisava ser plantado com espaçamento de 80 centímetros, enquanto a soja e o feijão usavam 45 a 50 centímetros? Mudar o espaçamento exigia constantes adaptações nas plantadeiras, gerando perda de tempo e eficiência.
"Por que não podemos plantar tudo a 45 centímetros?", questionaram os irmãos. A ideia era revolucionária para a época, pois permitiria colocar muito mais plantas na mesma área. No entanto, havia um gargalo: não existiam plataformas de colheita de milho no mercado preparadas para esse espaçamento reduzido.
A solução foi fazer com as próprias mãos. No barracão da fazenda, eles pegaram uma plataforma original, cortaram, soldaram, adaptaram e foram colher. O experimento em quase 400 hectares de milho foi um sucesso estrondoso, chamando a atenção de empresas de sementes e virando manchete nacional no Canal Rural.
O alumínio aeronáutico e o nascimento da GTS
Apesar do sucesso do plantio adensado, a adaptação artesanal deixou a plataforma muito pesada para as colheitadeiras da época. Assis, sempre curioso, buscou inspiração na aviação. "Fui na Boeing e pensei: por que não podemos criar uma plataforma de alumínio, que fica mais leve e não enferruja?".
Com matéria-prima importada da França, eles construíram na própria fazenda, entre 1997 e 1998, a primeira plataforma de colheita de alumínio do mundo. Quando apresentaram o projeto para gigantes multinacionais do setor, ouviram que a ideia não tinha "viabilidade econômica". Foi o empurrão que faltava.
"Se os caras constroem uma plataforma de alumínio na fazenda, imagina esses caras na indústria", ouviu Assis de um cônsul. No almoço daquele mesmo dia, ele disse ao irmão: "Sabe que não era mau a gente virar industrial?".
Assim nascia a GTS, cujo nome carrega a história societária da fundação: G de Garro Fabril (empresa argentina de caixas de transmissão), T de Tanzi (empresa argentina de chassis) e S de Strasser. Logo nos primeiros anos, Assis adquiriu a parte dos sócios argentinos. Anos depois, comprou também a participação dos irmãos, que hoje são empresários no Tocantins, consolidando o controle da companhia.
A expansão: de Santa Catarina para o mundo
A primeira fábrica da GTS foi alugada em Campo Belo do Sul, com capacidade para produzir cerca de 300 a 400 máquinas por ano. O crescimento foi vertiginoso. Em 2004, a empresa construiu sua primeira fábrica própria em Lages (SC), inaugurada no ano seguinte.
Hoje são cerca de 550 funcionários diretos, nove unidades operacionais em Lages, presença em 29 a 38 países — incluindo Estados Unidos, Europa e Austrália — e um pico de produção de 6.500 máquinas fabricadas em 2022. O pioneirismo com o alumínio permitiu à GTS quebrar recordes globais: entre 2021 e 2022, a empresa lançou no Piauí a maior plataforma draper do mundo, com 62 pés de barra de corte.
Mas Assis Strasser não se acomoda. A empresa está investindo cerca de R$ 148 milhões para construir sua primeira fábrica nos Estados Unidos, em Boone (Iowa), vizinha à Farm Progress, a maior feira agrícola americana. "Quando começamos, nunca imaginei que nossos produtos estariam nos Estados Unidos, Austrália, Europa", confessa o CEO.
A filosofia de gestão: o exemplo arrasta
Assis Strasser é um líder autodidata. Com formação básica no ensino regular, aprendeu inglês, espanhol, italiano, francês e um pouco de alemão viajando pelo mundo. Foi o primeiro vendedor, o primeiro técnico e o primeiro demonstrador da GTS, rodando "milhões de quilômetros" de caminhonete pelo Brasil afora.
Sua filosofia de gestão é baseada na eficiência, na ética e no exemplo. "Caráter não se compra, não se vende. Como é que eu vou exigir do outro o que eu não tenho? Eu tenho que ser o primeiro a chegar e o último a sair", decreta. Ele é avesso a promessas vazias e lembra sempre do conselho do avô: "Você pode um dia ficar sem dinheiro, mas nunca deve ficar sem crédito". Na fábrica, a regra é clara: nunca prometer o que não se pode entregar.
Inspirado por líderes globais como Bill Gates, Assis planeja criar a GTSUni, uma universidade corporativa não apenas para ensinar engenharia ou gestão, mas "economia caseira" e valores humanos. "Nós temos que educar as pessoas, dar a elas a oportunidade de treiná-las. Ayrton Senna dizia: tu tem que treinar a Fórmula 1, tu tem que entender do teu carro mais do que o engenheiro", compara.
O futuro: tecnologia e orgulho de ser brasileiro
Apesar dos investimentos nos Estados Unidos e das viagens constantes, Assis é um patriota convicto. "Eu não troco o Brasil por nada. Eu vou morar aqui, vou trabalhar pelo meu país. O brasileiro é muito trabalhador", afirma.
Para o futuro, a GTS planeja completar todo o seu portfólio de maquinário até 2030, investindo pesadamente em tecnologia, como tratores e colheitadeiras autônomas. Além disso, Assis sonha em construir uma fazenda modelo no Brasil, totalmente digital, limpa e rentável, para provar ao mundo do que a tecnologia nacional é capaz.
A história de Assis Strasser e da GTS é a prova viva de que, com coragem para quebrar paradigmas e suor para transformar ideias em metal, o agronegócio brasileiro não apenas alimenta o mundo, mas também o equipa com o que há de melhor em tecnologia.
“Caráter não se compra, não se vende. Eu tenho que ser o primeiro a chegar e o último a sair”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é Assis Strasser?
- Assis Strasser é fundador e CEO da GTS do Brasil. Assis Strasser: a mente brilhante por trás da GTS e a revolução nas colheitas do Brasil para o mundo A história do agronegócio brasileiro é feita por quem enxerga soluções onde a maioria vê apenas problemas.
- De onde é Assis Strasser?
- Lages, Santa Catarina.
- Sobre o que Assis Strasser fala no Agro em Debate?
- A conversa passa por inovação tecnológica em plataformas de colheita de alumínio, desafios do empreendedorismo industrial no brasil, expansão da gts group para o mercado dos estados unidos, importância da gestão de pessoas e universidade corporativa, resiliência e trajetória do produtor rural à liderança executiva.
- Onde assistir à entrevista de Assis Strasser?
- No episódio "EP 117 - Produzir mais com menos: as lições do fundador da GTS | Assis Strasser", disponível no canal do Agro em Debate no YouTube.


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