
Wesley
CFO da Carroll Farms no Brasil
Luís Eduardo Magalhães, Bahia
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
Carroll Farms no Brasil: a história centenária que revolucionou a gestão e a genética no agronegócio O agronegócio é um campo onde tradição e inovação caminham lado a lado.
- Atuação
- CFO da Carroll Farms no Brasil
- Origem
- Luís Eduardo Magalhães, Bahia
- Episódios
- 1
Temas
Biografia
Carroll Farms no Brasil: a história centenária que revolucionou a gestão e a genética no agronegócio
O agronegócio é um campo onde tradição e inovação caminham lado a lado. Quando a experiência centenária de uma família americana se encontra com o potencial inexplorado do Cerrado brasileiro, o resultado é uma revolução na forma de produzir e administrar terras. Essa é a essência da Carroll Farms, um grupo com raízes profundas nos Estados Unidos que, há mais de 20 anos, desembarcou no Oeste da Bahia para transformar a gestão rural e a genética suína no Brasil.
Em um episódio especial do Agro em Debate, gravado diretamente da Bahia Farm Show, conversamos com Uesley, CFO da Carroll Farms no Brasil. A partir de seu relato e de pesquisas aprofundadas sobre a trajetória da empresa, mergulhamos na história dessa gigante do agronegócio que hoje administra centenas de milhares de hectares e lidera projetos de alta performance no país.
As raízes: um século de agricultura em Illinois
A história da Carroll Family Farms começa muito antes de o Brasil se tornar uma potência agrícola. Fundada em 1932 em Carthage, Illinois, a empresa familiar construiu sua base sobre a produção de milho, soja e suínos. Com quase um século de tradição, a Carroll está hoje em sua quinta geração de gestores ativos.
O segredo da longevidade da família está na integração de suas atividades. Nos Estados Unidos, eles operam a cadeia completa de suínos — do berçário ao abate — aliada à produção de grãos. A tese central do negócio é o "ciclo de nutrientes": os grãos alimentam os animais, cujos dejetos são convertidos em adubo orgânico, retornando ao solo para impulsionar a produtividade das lavouras.
Esse modelo sustentável e altamente eficiente foi a bagagem que John Carroll, recém-formado e representante da quinta geração da família, trouxe na mala quando decidiu explorar novos horizontes no início dos anos 2000.
A chegada ao Oeste da Bahia: o desbravamento
No início do século XXI, o Oeste da Bahia começou a atrair a atenção internacional. Caravanas de investidores americanos, incluindo a família Carroll, chegaram à região em busca de terras com preços mais atrativos do que os praticados no Meio-Oeste dos EUA. Atraídos pelo clima, altitude e potencial produtivo, John Carroll e seu pai, Daniel, adquiriram suas primeiras áreas na região de Luís Eduardo Magalhães (BA) em 2002.
No entanto, o cenário era desafiador. Não havia a infraestrutura de hoje, e os trâmites burocráticos — licenças ambientais, regularização fundiária e documentação — eram obstáculos formidáveis. Além disso, havia um déficit significativo de profissionais qualificados na região.
Para superar esses gargalos, John montou uma equipe multidisciplinar própria. "Ele ficou aqui por uns 10 anos desenvolvendo essa operação", relatou Uesley no podcast. O que começou como uma necessidade interna logo se transformou em uma oportunidade de negócio: outros investidores estrangeiros que chegavam à região começaram a procurar a Carroll Farms em busca de suporte para estruturar suas próprias operações.
A evolução: de produtores a especialistas em gestão rural
Com uma equipe robusta nas áreas agronômica, contábil, fiscal e jurídica, a Carroll Farms Brasil evoluiu de uma simples operação agrícola para uma provedora de soluções inteligentes. A empresa passou a oferecer serviços de gestão rural 360º, atuando como o braço operacional e administrativo de investidores e famílias produtoras.
Hoje, a Carroll administra mais de 290 mil hectares no Brasil, distribuídos por estados como Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará, Maranhão e Rondônia. A atuação se divide em áreas próprias, gestão rural integral para investidores e famílias com desafios de sucessão, parcerias no modelo "barter 2.0" — em que a Carroll aporta insumos e gestão técnica enquanto o produtor entra com terra e operação, dividindo resultados — e pools de compras coletivas que garantem poder de barganha.
"Nós participamos 100% dos resultados. Deu lucro, a gente recebe. Deu prejuízo, também a gente está participando", explicou Uesley sobre o inovador modelo de parceria. Esse formato exige contratos de médio prazo, de quatro a cinco anos, para diluir os riscos climáticos e a volatilidade dos preços das commodities.
Inovação na genética suína: o padrão global no Brasil
Se nos Estados Unidos a Carroll opera o ciclo completo de abate de suínos, no Brasil a estratégia foi diferente. Identificando uma lacuna no mercado nacional, a empresa decidiu focar na base da cadeia: a genética de elite.
Para isso, firmou parceria com a Hypor, unidade da Hendrix Genetics e referência mundial em melhoramento genético, estruturando uma granja núcleo em São Domingos de Goiás, projetada para altíssima performance. A unidade conta com 1.200 matrizes e capacidade para produzir mais de 35 mil suínos por ano, com foco nas linhagens Duroc, Landrace e Large White. O objetivo é fornecer reprodutores, sêmen e leitões de padrão genético superior, com conversão alimentar eficiente e rigoroso controle sanitário, elevando o patamar da suinocultura brasileira.
O legado e o futuro da Carroll Farms no Brasil
Com sede no Edifício Boullevard, em Luís Eduardo Magalhães, a Carroll Brasil é hoje um ecossistema completo de soluções agroindustriais. Além da gestão rural e da genética suína, a empresa atua com imobiliária rural, estruturação de capital e financiamento e até mesmo na organização de leilões.
A jornada de John Carroll — que chegou ao Brasil recém-casado para desbravar o Cerrado — transformou-se em um case de sucesso de como aliar o know-how centenário americano à realidade dinâmica do agronegócio brasileiro. Seja operando fazendas de 20 mil hectares com risco próprio ou gerenciando fundos de investimento com áreas superiores a 30 mil hectares, a Carroll Farms prova que o futuro do agro não depende apenas de boas sementes, mas de uma gestão profissional, integrada e disposta a compartilhar os riscos do campo.
“Nós participamos 100% dos resultados. Deu lucro, a gente recebe. Deu prejuízo, também a gente está participando”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é Wesley?
- Wesley é cFO da Carroll Farms no Brasil. Carroll Farms no Brasil: a história centenária que revolucionou a gestão e a genética no agronegócio O agronegócio é um campo onde tradição e inovação caminham lado a lado.
- De onde é Wesley?
- Luís Eduardo Magalhães, Bahia.
- Sobre o que Wesley fala no Agro em Debate?
- A conversa passa por gestão profissional e farm management, modelos de parceria agrícola e barter 2.0, sucessão familiar no agronegócio, acesso a capital estrangeiro e fundos de investimento, desenvolvimento agrícola do oeste baiano.
- Onde assistir à entrevista de Wesley?
- No episódio "EP 116 - Do Illinois ao Oeste Baiano: a história da Carroll Farms no agro brasileiro", disponível no canal do Agro em Debate no YouTube.


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