
Jeremias e Jonas Demito
Fundadores do Grupo J. Demito e da Caltins
Nova Esperança (PR) / Riachão (MA)
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
A SAGA DOS IRMÃOS DEMITO A história da expansão agrícola no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, costuma destacar as sementes, o clima e a tecnologia das máquinas.
- Atuação
- Fundadores do Grupo J. Demito e da Caltins
- Origem
- Nova Esperança (PR) / Riachão (MA)
- Episódios
- 1
Temas
Biografia
A SAGA DOS IRMÃOS DEMITO
A história da expansão agrícola no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, costuma destacar as sementes, o clima e a tecnologia das máquinas. Poucas vezes lembramos do alicerce invisível que tornou o solo do Cerrado fértil e produtivo: a correção da acidez da terra. É nesse cenário que surge a saga inspiradora dos irmãos Jeremias e Jonas Demito, fundadores do Grupo J. Demito e da Caltins, hoje a maior indústria de calcário agrícola do Brasil em capacidade por unidade.
Em entrevista ao podcast Agro em Debate, gravada durante a Bahia Farm Show, os irmãos abriram o livro de memórias e compartilharam os desafios de quem começou quebrando pedras com marreta e hoje opera um império que atende a seis estados brasileiros.
RAÍZES ITALIANAS E A LIÇÃO DE HONRA
A história da família Demito começa com os avós, imigrantes italianos que chegaram ao Brasil para trabalhar como colonos nas lavouras de café de São Carlos, no interior de São Paulo. Com o tempo, João Demito e Irassema, pais de Jeremias e Jonas, migraram para Nova Esperança (PR) para acompanhar a expansão cafeeira.
No Paraná, a família conseguiu adquirir dois pequenos sítios, mas a vida reservava um golpe duro. João Demito entrou como sócio em uma indústria de refrigerantes e acabou sendo enganado pelos parceiros. Para não manchar seu nome, vendeu tudo o que tinha, pagou as dívidas da empresa e, em 1967, mudou-se com a esposa e os dez filhos para a capital paulista “com uma mão na frente e outra atrás”, como recorda Jeremias.
“Isso foi muito ruim economicamente, mas na nossa formação foi muito importante, porque a gente valoriza muito a questão do nome, da honestidade e do direito”, refletiu Jeremias no podcast.
A vida em São Paulo não foi fácil. Jeremias começou a trabalhar aos 13 anos e Jonas aos 16. O trabalho pesado durante o dia impedia a dedicação aos estudos noturnos. A verdadeira escola deles foi a vivência prática. “A nossa faculdade foi a faculdade da vida em São Paulo”, resume Jonas.
O DESBRAVAMENTO DO CERRADO E A APOSTA NO CALCÁRIO
A entrada da família no ramo do calcário aconteceu de forma quase acidental. O irmão mais velho, José Demito, advogado, descobriu o potencial do negócio e fundou a Diacal em Indianópolis, região de Barreiras (BA), em 1979. A época coincidia com a chegada de produtores do Sul do país em busca de terras baratas no Cerrado.
Em 1983, outro irmão, Davi, encontrou uma jazida em Balsas (MA) e convidou Jonas para montar uma indústria na região. Naquele momento, o Maranhão enfrentava a falência da monocultura do arroz e engatinhava no plantio de soja. Havia um problema grave: não existia calcário por perto. Os produtores precisavam buscar o insumo em Cristalândia, a mil quilômetros de distância.
Foi em 21 de fevereiro de 1985 que Jonas e Jeremias uniram forças e fundaram a J. Demito Irmãos em Riachão (MA). O início foi marcado por improvisos e resiliência extrema. “A gente moía 20 mil toneladas por ano. Às vezes a gente quebrava a máquina e tinha uns marrueiros para quebrar a pedra na marreta, porque a boca do britador era pequena”, lembra Jonas. A fábrica funcionou à base de gerador a diesel por 12 anos, pois a rede elétrica não chegava ao local.
O CALCÁRIO COMO MOEDA DE TROCA
Nos anos 1980, a infraestrutura era inexistente. Não havia tradings estruturadas, estradas asfaltadas ou crédito rural ágil. A relação entre a indústria de calcário e o agricultor era baseada puramente na confiança.
Os irmãos Demito chegavam a adiantar o calcário para os produtores sem sequer um contrato formal. O pagamento era feito apenas na colheita. “Era um saco e meio de soja por tonelada de calcário. Hoje, eu acredito que é meia saca”, compara Jeremias, ilustrando como o insumo se valorizou com o tempo.
A proximidade com o produtor era tanta que a empresa participou da criação da FAPCEN (Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte). Mesmo sem serem produtores de sementes, Jonas e Jeremias compraram cotas da fundação para financiar pesquisas de novas cultivares adaptadas ao clima local.
A CRIAÇÃO DA CALTINS E A EXPLOSÃO DE CRESCIMENTO
A grande virada de chave do Grupo J. Demito aconteceu na virada do milênio. Após quatro anos de pesquisas e investimentos, os irmãos iniciaram, em 1998, as operações da Caltins na mina Corgão, em Bandeirantes do Tocantins (TO).
A aposta era arriscada. O Tocantins tinha apenas 10 anos de criação e o mercado estadual consumia míseras 5 mil toneladas de calcário por ano. Contudo, a jazida revelou-se um tesouro. O foco da Caltins foi o calcário dolomítico, rico em cálcio e magnésio, essencial para a correção do solo ácido do Cerrado.
Hoje a estrutura impressiona: são 8 unidades de produção (7 de calcário e 1 de gesso), com a mina de Bandeirantes alcançando capacidade de até 3 milhões de toneladas por ano e atendimento a Tocantins, Maranhão, Pará, Piauí, Mato Grosso e Bahia, com calcário dolomítico de PRNT 88% e britas para construção civil e siderurgia. A mina consolidou-se como uma das 200 maiores do Brasil.
UM LEGADO DE HONRA E TRABALHO
Hoje, o Grupo J. Demito não é apenas uma mineradora, mas um conglomerado que inclui empresas como Natical, Minerax e Gessotins, além de atuar em prospecção e logística.
Mesmo no topo do mercado, a essência dos irmãos permanece a mesma da época em que venderam a casa da família em São Paulo. “Sinceramente, passei muitas dificuldades, mas nunca pensei em mudar de ramo. Nosso objetivo sempre foi procurar melhores condições e oportunidades”, afirma Jeremias.
A história de Jeremias e Jonas Demito é a prova viva de que a base do agronegócio brasileiro não é feita apenas de minerais e fertilizantes, mas, sobretudo, do caráter, do suor e da coragem de quem acreditou no potencial da terra antes mesmo de ela dar frutos.
“Isso foi muito ruim economicamente, mas na nossa formação foi muito importante, porque a gente valoriza muito a questão do nome, da honestidade e do direito.”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é Jeremias e Jonas Demito?
- Jeremias e Jonas Demito é fundadores do Grupo J. Demito e da Caltins. A SAGA DOS IRMÃOS DEMITO A história da expansão agrícola no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, costuma destacar as sementes, o clima e a tecnologia das máquinas.
- De onde é Jeremias e Jonas Demito?
- Nova Esperança (PR) / Riachão (MA).
- Sobre o que Jeremias e Jonas Demito fala no Agro em Debate?
- A conversa passa por história da produção de calcário e gesso no brasil, desenvolvimento agrícola da região de balsas e do tocantins, logística e infraestrutura no matopiba, importância da qualidade química e granulométrica do calcário, transição da agricultura de subsistência para a soja mecanizada.
- Onde assistir à entrevista de Jeremias e Jonas Demito?
- No episódio "EP 115 - Reis do calcário: a história dos irmãos Demito - com Jeremias e Jonas Demito", disponível no canal do Agro em Debate no YouTube.


Odacil Ranzi
Vera Maciel
Gil Ferreira
Ireneu Orth
Assis Strasser
Wesley