Roberto Rodrigues

Roberto Rodrigues

Ex-ministro da Agricultura, líder cooperativista e professor emérito do FGV Agro

Cordeirópolis (SP) — São Paulo (SP)

Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.

Resumo

Engenheiro agrônomo, produtor rural, professor e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues dedicou mais de seis décadas à construção de instituições, políticas e ideias voltadas ao desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

Atuação
Ex-ministro da Agricultura, líder cooperativista e professor emérito do FGV Agro
Origem
Cordeirópolis (SP) — São Paulo (SP)
Episódios
1

Temas

CooperativismoPolítica AgrícolaMinistério da AgriculturaTecnologia e TransgeniaSeguro RuralAgro Tropical

Biografia

Engenheiro agrônomo, produtor rural, professor e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues dedicou mais de seis décadas à construção de instituições, políticas e ideias voltadas ao desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Engenheiro agrônomo, líder cooperativista, ex-ministro da Agricultura no primeiro governo Lula e coordenador por 18 anos do centro de agronegócio da FGV, ele reúne numa só trajetória as três vertentes que gosta de citar: a acadêmica, a agrícola e a cooperativista. Aos 83 anos, segue ativo, dando aulas, palestras e conselhos, e defendendo uma tese que carrega pelo mundo, a de que a agricultura tropical, liderada pelo Brasil, é uma plataforma de futuro e de paz. No Agro em Debate, gravado na FGV, na Avenida Paulista, ele contou essa história e a filosofia de vida que a sustenta.

NETO, FILHO E PAI DE AGRÔNOMOS

Roberto nasceu em Cordeirópolis, no interior de São Paulo, em 1942, e cresceu em Guariba, na região de Jaboticabal. A relação da família com a terra vem de longe e foi marcada pela crise de 1929. O avô paterno, cafeicultor, quebrou com o craque da Bolsa de Nova York, enquanto o avô materno, imigrante italiano que trabalhava como colono, acabou ficando com um pedaço de terra. Rodrigues usa o episódio para mostrar como a política e a economia interferem na vida do produtor sem que ele tenha qualquer controle. Filho de agrônomo formado na Esalq, em Piracicaba, ele seguiu o mesmo caminho e formou-se na mesma escola em 1965. São quatro gerações de agrônomos formados ali, do pai ao neto. A atividade da família era a cana-de-açúcar.

A VIDA PELO COOPERATIVISMO

Foi na cana, e numa crise dela, que Rodrigues encontrou o cooperativismo. Assumiu a presidência da cooperativa de Guariba em 1971, criou cooperativas de crédito rural a partir de 1974 e, em 1985, chegou à presidência da Organização das Cooperativas Brasileiras. Na Constituinte de 1987 e 1988, liderou a inclusão de cinco artigos sobre cooperativas na Constituição, entre eles o da autogestão, que livrou o setor da tutela do governo. O trabalho o projetou no exterior. Presidiu a organização mundial das cooperativas agrícolas a partir de 1992 e, em 1997, tornou-se o primeiro não europeu a presidir a Aliança Cooperativa Internacional, cargo que ocupou até 2001, de Genebra, visitando 83 países. Dessa fase ele guarda histórias como a da Polônia, onde ajudou a convencer o governo a não extinguir as cooperativas do país, episódio que lhe rendeu, num congresso em Bratislava, uma espada com a inscrição “ao Roberto Rodrigues, nosso libertador”. A experiência virou livro: “Cooperativismo, Democracia e Paz”.

MINISTRO NUM GOVERNO DE CONTRADIÇÕES

Justamente por ser um cooperativista, visto como um caminho do meio, Rodrigues foi convidado por Lula para ser ministro da Agricultura em 2003, função que exerceu até meados de 2006. Ele descreve o período como uma travessia diária de contradições, em que seu papel era servir de ponte entre um setor que o apoiava e um governo do qual esse setor desconfiava. Mesmo assim, saíram dali algumas das bases do agro atual. Rodrigues conduziu a medida provisória e, depois, a Lei de Biossegurança que regularizou os transgênicos no Brasil, com apoio do então ministro Aldo Rebelo, mudança à qual credita boa parte do salto de produtividade das décadas seguintes. Criou o seguro rural em 2003 e os títulos de crédito do agronegócio, como LCA, CDCA e CRA, que hoje respondem pela maior parte do financiamento do setor e reduziram a dependência do crédito público. E abriu mercados, com destaque para a China, além de liquidar estoques públicos de café que travavam o preço.

A TESE DO AGRO TROPICAL

Aos 83 anos, Rodrigues concentra sua pregação numa ideia. Para ele, a agricultura de clima temperado do hemisfério norte tem pouco espaço para crescer, e a próxima grande expansão mundial de alimentos e energia virá do mundo tropical, na América Latina, na África subsaariana e em parte da Ásia. O Brasil, argumenta, é o único país que montou uma tecnologia tropical sustentável e, por isso, teria a missão de servir de modelo, desde que haja financiamento dos países ricos e menos protecionismo no comércio. Foi essa a mensagem que levou à COP30, em Belém, em 2025, como enviado especial da agricultura. Sobre o presente, é direto: 2026 será um ano duro, de custos altos e preços baixos, e a única saída, na visão dele, é produtividade e tecnologia, com o seguro rural como principal instrumento de estabilização da renda. Rodrigues também se diz preocupado com o enfraquecimento das instituições multilaterais, o que, para ele, ameaça as regras do comércio, a democracia e a paz.

O PROFESSOR, O FGV AGRO E A FILOSOFIA DE VIDA

Depois do governo, Rodrigues criou e coordenou por 18 anos o centro de agronegócio da FGV, em São Paulo, até deixar o comando ao completar 80 anos. Hoje é professor emérito da instituição, embaixador especial da FAO para o cooperativismo e conselheiro de dezenas de organizações. As terras da família, em São Paulo, Minas Gerais e no Maranhão, onde comprou uma área no sul do estado ainda nos anos 1990, são tocadas pelo filho mais velho, Paulo. Um câncer no fim dos anos 1990 o levou a organizar a sucessão ainda em vida, dividindo o patrimônio entre os quatro filhos. Professor por vocação, ele resume o sentido da própria vida numa ideia simples: ensinar tudo o que sabe ao maior número possível de pessoas, porque conhecimento repartido multiplica. Fala em dois trilhos, o amor e a justiça, sobre os quais corre o trem da vida, movido pela esperança de fazer o mundo melhor, sendo a felicidade a viagem, e não a estação de chegada. E define o produtor rural em uma palavra: herói. Para Rodrigues, o agricultor é um soldado que trava todo dia a guerra da sobrevivência para garantir a vida de todos, o maior parceiro de Deus, numa parceria cujo cartório, diz, é a própria natureza.

“Nasci na agricultura, e espero morrer na agricultura, sem pressa nenhuma.”

Episódios

Perguntas frequentes

Quem é Roberto Rodrigues?
Roberto Rodrigues é engenheiro agrônomo, líder cooperativista e foi ministro da Agricultura entre 2003 e 2006. Ex-presidente da OCB e primeiro não europeu a presidir a Aliança Cooperativa Internacional, é professor emérito da FGV e embaixador especial da FAO para o cooperativismo, além de um dos nomes mais influentes do agro brasileiro e mundial.
De onde é Roberto Rodrigues?
Nasceu em Cordeirópolis (SP), em 1942, cresceu em Guariba, no interior paulista, e vive e atua em São Paulo.
Sobre o que Roberto Rodrigues fala no Agro em Debate?
A conversa percorre sua trajetória no cooperativismo, os bastidores do Ministério da Agricultura (transgênicos, seguro rural, títulos de crédito e abertura de mercados), a tese do agro tropical como plataforma de futuro e a filosofia de vida que ele construiu ao longo de mais de oito décadas.
Onde assistir à entrevista de Roberto Rodrigues?
No episódio EP 99 do Agro em Debate, disponível no canal do podcast no YouTube.

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