
Carlos Alberto Guimarães (Carlito)
Um dos maiores pecuaristas do Xingu, titular da Nelore Reata
Morrinhos (GO) — Xingu (MT)
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
Carlos Alberto Guimarães é pecuarista, agricultor e titular da Nelore Reata.
- Atuação
- Um dos maiores pecuaristas do Xingu, titular da Nelore Reata
- Origem
- Morrinhos (GO) — Xingu (MT)
- Episódios
- 1
Temas
Biografia
Carlos Alberto Guimarães é pecuarista, agricultor e titular da Nelore Reata. Construiu uma trajetória ligada à produção rural, à formação de pastagens, à criação de gado e à abertura de propriedades no Xingu mato-grossense. Titular da Nelore Reata, ele saiu do sul de Goiás ainda jovem, passou pelo Pará e apostou no Xingu quando quase ninguém acreditava na região, ajudando a transformá-la num polo de pecuária. Apaixonado pela raça Nelore e reverenciado por outros grandes nomes do setor, Carlito construiu, ao longo de mais de quatro décadas, uma operação de dezenas de milhares de cabeças. No Agro em Debate, contou essa história e a sua visão sobre o futuro da atividade.
Do sul de Goiás ao Xingu
Carlito nasceu no sul de Goiás, na região de Morrinhos, segundo de dez filhos de uma família de fazendeiros. Foi o único dos irmãos a não cursar faculdade e faz questão de dizer que, ainda assim, se considera o mais bem formado de todos, porque aprendeu com o maior mestre que teve, o pai. Desde os 14 anos trabalhava com agricultura e pecuária na fazenda da família, em Joviânia, que ele chama de matriz de tudo. Teve o primeiro contato com o Nelore em 1962, quando os primeiros zebuínos chegavam ao Brasil, e nunca mais largou a raça. Ainda jovem, foi para Marabá, no Pará, e depois vendeu o que tinha lá para apostar no Xingu.
O pioneiro que acreditou
Quando Carlito chegou ao Xingu mato-grossense, há mais de quatro décadas, era tudo mato fechado, sem estrada, sem energia, sem cidade. Foram mais de mil quilômetros de estrada de terra até um lugar em que poucos enxergavam futuro. Ele enxergou. Comprava vários hectares no Xingu com o que valia um só no Pará e repetia que aquilo ali viraria um paraíso. Virou. Hoje a Nelore Reata reúne cerca de uma dezena e meia de propriedades entre o leste do Mato Grosso, com fazendas em Santa Cruz do Xingu, São José do Xingu, Porto Alegre do Norte e Cocalinho, e o Vale do Araguaia goiano, em Aruanã, além de investimento em soja. A operação chegou a reunir na casa das 70 mil cabeças. Referência na criação e seleção de Nelore puro de origem, Carlito é diretor da ABCZ e já presidiu a associação dos fazendeiros do Araguaia e Xingu.
A pecuária tem que virar agricultura de capim
Apesar de pioneiro, Carlito é tudo menos saudosista. Sua tese é que a pecuária precisa evoluir, e quem não acompanhar vai sair do ramo. Por muitos anos, diz, o pecuarista foi um extrativista, que só tirava do solo sem repor nada, e esse modelo está morrendo. O caminho é a intensificação: correção e adubação de pasto, piquetes menores e rotacionados, água limpa no cocho e confinamento no acabamento. Antes de produtor de carne, resume, o pecuarista tem que ser produtor de capim. Ele aponta o rumo da atividade para a precocidade, a qualidade e a rastreabilidade exigida por mercados como Europa e China, e credita boa parte da própria trajetória à combinação de agricultura e pecuária que herdou do pai, ganhando na lavoura e guardando no boi. Sobre o mercado, tem uma leitura conhecida no setor: quem determina o preço não é o frigorífico nem o invernista, é o bezerro, é o criador.
Fátima, a companheira
Carlito não conta a própria história sem falar de Fátima Roriz, com quem vive há quase quatro décadas. Filha de juiz, formada e com uma vida confortável, ela abriu mão de tudo para viver com ele no sertão, quando lá não havia energia nem conforto. Não é uma presença figurativa: Fátima comanda com ele a Nelore Reata, cuida do RH e dos negócios e é, por direito próprio, uma fazendeira que entende de fazenda. Carlito a define como esposa, amiga e companheira, e diz que ela é um dos tripés que sustentam a sua vida.
Gente, fé e a lição da crise
No trato com as pessoas, Carlito não fala em empregados, e sim em companheiros. Muitas das equipes se formaram dentro das fazendas, com famílias inteiras que nasceram ali e que, na matriz em Joviânia, ainda tomam a bênção de Dona Maria, sua mãe, de quase cem anos. Quando o pai faleceu, a família mandou dar pedaços de terra aos mais antigos, e há funcionários que cresceram junto com ele a ponto de terem o próprio rebanho. Homem de fé, ele repete que na roça, sem Deus, não se vive fácil. A prova de fogo veio em 1988, no Plano Cruzado, quando se viu alavancado com juros que chegaram a 60% ao mês. Vendeu uma fazenda no Pará e um apartamento em Goiânia, pagou todas as contas em dia e, dois meses depois, de cabeça limpa, comprou a Fazenda Reata. É apanhando que se aprende, resume, lembrando que de honesto para desonesto não se pode nunca mudar. Nos últimos anos, por questões de saúde, tirou o pé do acelerador e passou a dividir o tempo entre a fazenda e o litoral.
“O pecuarista vai ter que virar um agricultor de capim.”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é Carlito Guimarães?
- Carlos Alberto Guimarães, o Carlito, é um dos maiores pecuaristas do Xingu mato-grossense e titular da Nelore Reata, referência na criação e seleção de Nelore puro de origem. Em mais de quatro décadas construiu uma operação que chegou a reunir dezenas de milhares de cabeças.
- De onde é Carlito Guimarães?
- Nasceu no sul de Goiás, na região de Morrinhos, e construiu a vida na pecuária do Xingu, no Mato Grosso, e do Vale do Araguaia.
- Sobre o que Carlito Guimarães fala no Agro em Debate?
- Ele fala da trajetória de pioneiro no Xingu, da evolução da pecuária e da ideia de que o pecuarista precisa virar agricultor de capim, além do ciclo do boi, da gestão de pessoas e da parceria com a esposa, Fátima Roriz.
- Onde assistir à entrevista de Carlito Guimarães?
- No episódio EP 35 - O maior pecuarista do Xingu, disponível no canal do Agro em Debate no YouTube.


Carlin Tavares
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