Marlon Mânica

Marlon Mânica

Produtor rural e Gestor do Grupo Mânica

Unaí, Minas Gerais

Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.

Resumo

MARLON MÂNICA E O LEGADO DO REI DO FEIJÃO A história do agronegócio no Brasil é construída por famílias que transformaram o suor em sementes de prosperidade.

Atuação
Produtor rural e Gestor do Grupo Mânica
Origem
Unaí, Minas Gerais
Episódios
1

Temas

Legado de Antério Mânica, o Rei do FeijãoGestão conservadora e custo de produçãoDiversificação: soja, batata, café e gadoCorreção de solo e produtividade no CerradoArmazenagem própria e venda direta

Biografia

MARLON MÂNICA E O LEGADO DO REI DO FEIJÃO

A história do agronegócio no Brasil é construída por famílias que transformaram o suor em sementes de prosperidade. No Noroeste de Minas Gerais e no Distrito Federal, poucos sobrenomes ecoam com tanto respeito quanto Mânica. A trajetória que começou com imigrantes italianos moendo trigo manualmente no Sul do país desaguou em um império agrícola de mais de 25 mil hectares.

Em entrevista ao podcast Agro em Debate, gravada durante a Bahia Farm Show, o produtor rural Marlon Mânica abriu o coração sobre as raízes da família, os desafios climáticos e financeiros e as lições deixadas por seu pai, o lendário Antério Mânica, eternizado como o “Rei do Feijão”.

DAS MARGENS DO LAGO SIRMIONE AO CERRADO BRASILEIRO

A saga da família Mânica começa na Itália, em Rovereto, próximo ao Lago Sirmione. Em busca de oportunidades, os bisavós de Marlon cruzaram o oceano e se instalaram em Espumoso, no Rio Grande do Sul. A vida era dura: para ajudar nas despesas de casa, o pai e o tio de Marlon acordavam às 5 horas da manhã para pescar antes de ir à escola.

Na década de 1970, a família migrou para Corbélia, no Paraná, onde começaram a trabalhar com agricultura em pequenas áreas arrendadas. Mas a terra estava cara e o espaço era curto. Em 1974, Antério Mânica foi servir o Exército em Brasília e vislumbrou o potencial do Cerrado.

O grande salto aconteceu em 1979, com o Programa de Assentamento do Distrito Federal (PADEF). A família conquistou uma concessão de 300 hectares, dividida entre oito irmãos. Nos anos 1980, compraram a primeira fazenda em Unaí (MG), numa época em que o asfalto só ia até a divisa com o DF e chegar à propriedade exigia o esforço de uma Toyota Bandeirantes.

“Eu me lembro de catar raiz, de morar dentro de barracão, até ir subindo”, relembra Marlon sobre os primeiros anos no Noroeste mineiro.

O LEGADO DE ANTÉRIO MÂNICA

O pai de Marlon não foi apenas um agricultor visionário, mas uma figura central no desenvolvimento de Unaí. Além de construir um império agrícola que chegou a plantar 5 mil hectares de feijão em um único ano — o que lhe rendeu o título de “Rei do Feijão” —, Antério foi o primeiro presidente da cooperativa local (Coagril) e prefeito de Unaí por dois mandatos (2005-2012).

Antério faleceu em maio de 2025, deixando um legado inestimável para a região e para os filhos, Marlon e Márcia. “Meu pai falou: se um dia eu tiver 300 hectares de área plantada, tá bom pra mim. Mas ele nunca sonhava que ia ter 25 mil hectares no giro do ano plantado”, orgulha-se Marlon.

DIVERSIFICAÇÃO E GESTÃO CONSERVADORA

Hoje, a operação da família Mânica é um exemplo de gestão de risco e diversificação. Com 100% de áreas próprias — a família não trabalha com arrendamentos —, o grupo cultiva soja, batata, café, milho semente e sorgo, além de manter uma operação de gado de elite.

São 23 mil hectares de soja (16 mil de sequeiro e 7 mil irrigados), com média de 89 sacas por hectare em 2024; 800 hectares de batata, com produtividade de 1.000 sacos por hectare, 7 câmaras frias e maquinário importado da Alemanha; 800 hectares de café irrigado usados como cultura de segurança financeira; e capacidade estática de armazenagem para 2 milhões de sacas de grãos.

O grande diferencial da gestão de Marlon é a filosofia conservadora de crédito. “Nós não trabalhamos alavancados. Aprendemos a não trabalhar alavancado”, crava o produtor. Essa prudência se reflete no controle de custos: enquanto muitos produtores gastam até R$ 6.000 por hectare na soja, a família fecha o custo em R$ 3.800, graças à compra direta de insumos, sem intermediários, e à armazenagem própria, que elimina descontos de impureza. “Não adianta gastar 80 para produzir 90, porque é melhor gastar 40 para produzir 60, que sobra 20”, ensina Marlon.

A APOSTA NA BATATA

Há cerca de quatro anos, a família entrou forte no mercado de hortifruti, especificamente na batata, em parceria com o cunhado de Marlon. A cultura exige alto investimento — cerca de R$ 40 mil por hectare —, mas pode dobrar o capital em anos bons.

A volatilidade do preço é um desafio, mas a infraestrutura faz a diferença. Com 7 câmaras frias gigantes, conseguem armazenar a produção por até seis meses, aguardando o melhor momento de venda. Além disso, dominam toda a cadeia: do plantio à lavagem, separação e distribuição para supermercados, restaurantes e Ceasas em Brasília, Goiânia e Campo Grande.

PREPARANDO O SOLO PARA O FUTURO

A produtividade de 89 sacas de soja por hectare não caiu do céu. É resultado de 20 anos de correção intensa de solo. Hoje, nenhuma área da fazenda tem menos de 70% de saturação de bases, o que garante que a planta resista a veranicos severos de até 20 dias sem quebra significativa de produção.

Em um ano desafiador para o agronegócio, com preços baixos das commodities e clima incerto, a família segue a lição de Antério: pé no chão e visão de longo prazo. “É um ano de travessia. Não é ano de investir”, pondera Marlon.

A história de Marlon Mânica e sua família é a prova de que o sucesso no agronegócio não depende apenas de máquinas potentes, mas da sabedoria de respeitar o tempo da terra, honrar o legado dos antepassados e nunca dar um passo maior que a própria perna.

“Nós não trabalhamos alavancados. Aprendemos a não trabalhar alavancado.”

Episódios

Perguntas frequentes

Quem é Marlon Mânica?
Marlon Mânica é produtor rural e Gestor do Grupo Mânica. MARLON MÂNICA E O LEGADO DO REI DO FEIJÃO A história do agronegócio no Brasil é construída por famílias que transformaram o suor em sementes de prosperidade.
De onde é Marlon Mânica?
Unaí, Minas Gerais.
Sobre o que Marlon Mânica fala no Agro em Debate?
A conversa passa por legado de antério mânica, o rei do feijão, gestão conservadora e custo de produção, diversificação: soja, batata, café e gado, correção de solo e produtividade no cerrado, armazenagem própria e venda direta.
Onde assistir à entrevista de Marlon Mânica?
No episódio "EP 114 - Soja, batata e café: os desafios de crescer no agronegócio — com Marlon Manica", disponível no canal do Agro em Debate no YouTube.

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