
Professor Molion
Meteorologista, ex-diretor do INPE e uma das vozes mais conhecidas do clima no agro
São Paulo (SP) — Maceió (AL)
Convidado do Agro em Debate, o podcast do agronegócio brasileiro.
Resumo
Luiz Carlos Molion é um dos meteorologistas mais conhecidos do Brasil e uma presença frequente no circuito de palestras do agronegócio.
- Atuação
- Meteorologista, ex-diretor do INPE e uma das vozes mais conhecidas do clima no agro
- Origem
- São Paulo (SP) — Maceió (AL)
- Episódios
- 1
Temas
Biografia
Luiz Carlos Molion é um dos meteorologistas mais conhecidos do Brasil e uma presença frequente no circuito de palestras do agronegócio. Formado em física pela USP e doutor em meteorologia pela Universidade de Wisconsin, foi diretor de Ciências Espaciais e Atmosféricas do INPE e representou a América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial. Hoje aposentado, dedica-se a traduzir para o produtor rural a sua leitura do clima, quase sempre na contramão do discurso predominante. No Agro em Debate, gravado em julho de 2026 na feira Xingotec, em Confresa (MT), o professor trouxe um recado direto sobre o El Niño da safra 26/27: calma.
Da física na USP ao INPE
Nascido na capital paulista em 1947, Molion formou-se em física pela USP e seguiu para São José dos Campos, onde entrou numa das primeiras turmas do que viria a ser o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Menos de um ano depois estava nos Estados Unidos, e concluiu o doutorado em meteorologia na Universidade de Wisconsin, em Madison, aos 28 anos. De volta ao INPE, chegou a diretor de Ciências Espaciais e Atmosféricas. Entre 1997 e 2010 representou a América do Sul na Comissão de Climatologia da OMM. Depois trocou o instituto por Maceió, onde foi professor da Universidade Federal de Alagoas até meados da década de 2010.
O cientista na contramão
Molion é um dos nomes mais conhecidos no Brasil a questionar a tese de que o aquecimento global seja causado pela ação humana, posição que contraria o consenso científico representado pelo IPCC. Ele não nega que o planeta passe por períodos de aquecimento, mas atribui as variações do clima principalmente a fatores naturais, como as oscilações dos oceanos, a atividade solar, os vulcões e os ciclos astronômicos. Na avaliação dele, o clima é um sistema aberto, aquecido de baixo para cima pelos oceanos, que cobrem cerca de 70% do planeta e que ele descreve como o verdadeiro comandante do clima global. É uma leitura que o transformou em figura requisitada no agro e, ao mesmo tempo, em alvo de contestação da comunidade científica.
O recado sobre o El Niño 26/27
O centro da conversa foi o El Niño previsto para a safra 26/27, e o professor foi enfático em classificar como alarmismo boa parte do que circulou na mídia. Para ele, a água quente observada no Pacífico não configura um El Niño de verdade, porque o fenômeno, tecnicamente chamado de ENSO, exige um acoplamento entre oceano e atmosfera que leva de três a cinco meses para acontecer. Na leitura dele, a mancha de água quente teria origem num terremoto raso de 7,5 graus no Japão, que teria empurrado essa água pelo Pacífico rápido demais para ser um El Niño clássico. Molion vai além e defende uma hipótese própria, que ele mesmo diz ser empírica: os El Niños fortes estariam ligados ao ciclo de cerca de 19 anos da órbita da Lua, e o próximo só viria em 2034 ou 2035. A recomendação prática que tira disso é esperar. Até setembro ou início de outubro, diz, não há base para prever grandes anomalias, e o produtor deve seguir trabalhando normalmente. Sua intuição é de chuvas regulares, com uma ressalva importante para o campo: um possível alongamento da estação seca, com as chuvas se encerrando já na metade de abril.
A aposta no sorgo
Da leitura climática, Molion tira um conselho concreto e menos polêmico: testar o sorgo no lugar do milho, sobretudo na safrinha. O argumento é de manejo de risco. O sorgo tem raízes que chegam a cinco ou seis metros, exige menos água, cerca de 350 a 400 milímetros para render 100 sacas por hectare, e resiste melhor a um corte precoce das chuvas, ao contrário do milho, mais sensível. Ele lembra ainda que o grão do sorgo tem mais amido, o que o torna atraente para as usinas de etanol que se instalam pelo país, e cita os Estados Unidos, onde a cultura vem ganhando área. A sugestão que deixa aos produtores é começar por áreas pequenas, para conhecer o comportamento da planta antes de escalar.
O professor que virou palestrante do agro
Aposentado da sala de aula, Molion diz que hoje sua rotina é quase toda dedicada ao agro, com cerca de 40 palestras por ano e uma agenda que o leva de uma ponta a outra do país, às vezes três ou quatro apresentações numa única semana. Ele conta que saiu da universidade em parte por frustração com o ensino e que faz questão de desenvolver uma linguagem acessível ao produtor. Formado numa época sem calculadora nem supercomputador, reivindica uma abordagem empírica, baseada na observação de séries de dados, e é crítico da dependência atual de modelos e, agora, de inteligência artificial. Requisitado e remunerado pelo setor, tornou-se uma das vozes de clima mais ouvidas dentro da porteira.
“Tudo na base do empiricismo, na observação.”
Episódios
Perguntas frequentes
- Quem é o Professor Molion?
- Luiz Carlos Molion é meteorologista, formado em física pela USP e doutor pela Universidade de Wisconsin. Foi diretor de Ciências Espaciais e Atmosféricas do INPE e representante da América do Sul na Comissão de Climatologia da OMM, e é professor aposentado da UFAL. Hoje é um dos palestrantes de clima mais requisitados do agro, conhecido por questionar o aquecimento global de causa humana.
- De onde é o Professor Molion?
- Nasceu em São Paulo (SP), em 1947, e vive em Maceió (AL).
- Sobre o que o Professor Molion fala no Agro em Debate?
- A conversa trata do El Niño e da safra 26/27, de previsão climática, dos ciclos naturais que na visão dele governam o clima e de recomendações práticas ao produtor, como a adoção do sorgo diante do risco de veranicos.
- Onde assistir à entrevista do Professor Molion?
- No episódio “EP 126 — El Niño, seca, chuva e segurança para o produtor rural”, disponível no canal do Agro em Debate no YouTube.


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